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Reforma Tributária: por que esperar é o maior risco para o empresário brasileiro

 por Jean Eduardo Lima |  

Durante décadas, criou-se no Brasil uma cultura empresarial perigosa, embora comum: a ideia de que o dinheiro dos impostos “aguenta um pouco mais no caixa”, de que sempre haverá um parcelamento, um Refis, uma prorrogação, ou que a grande mudança “vai acabar sendo adiada”.
Essa mentalidade funcionou no passado. Com a Reforma Tributária, ela deixa de ser apenas arriscada e passa a ser fatal.

Ainda hoje, muitos empresários acreditam que a Reforma Tributária não será aplicada como planejado, que haverá recuos políticos ou que tudo ficará “para depois”. Outros seguem utilizando valores de impostos no fluxo de caixa da empresa como se fossem capital próprio, repetindo práticas que já não encontram mais espaço no novo sistema.

A verdade é simples e dura: a cultura mudou.
E o empresário que não se adaptar vai sofrer (e corre), sim, o risco real de fechar as portas.

O fim da ilusão do “caixa reforçado com imposto”

No modelo antigo, muitas empresas sobreviviam usando o imposto como uma espécie de financiamento informal: atrasava, parcelava, renegociava.
Com a Reforma Tributária, essa lógica se rompe.

O novo sistema é estruturado para:

  • reduzir cumulatividade,

  • aumentar rastreabilidade,

  • integrar dados,

  • diminuir drasticamente o espaço para improvisos fiscais.

Ou seja: imposto não é mais uma linha elástica do fluxo de caixa.
Quem ainda utiliza dinheiro de tributos para pagar folha, fornecedor ou aluguel precisa entender que isso não é gestão financeira, é um risco sistêmico.

Esse empresário precisa rever totalmente sua atuação financeira, começando por um ponto básico:
separar definitivamente o que é faturamento do que é imposto.

O empresário precisa correr atrás do tempo perdido

Mais do que discutir se a Reforma é boa ou ruim, o foco agora deve ser outro: preparação.

A empresa que não se antecipa vai pagar o preço mais alto, porque:

  • margens serão comprimidas,

  • erros custarão mais caro,

  • decisões erradas não terão tempo de correção.

É hora de correr atrás do tempo perdido, e isso exige atitudes práticas:

1. Revisão de contratos

Contratos antigos, especialmente de médio e longo prazo, podem se tornar inviáveis.
É essencial revisar cláusulas de repasse tributário, preços fixos e responsabilidades fiscais.

2. Revisão de preços

Muitos empresários ainda formam preço como se a carga tributária fosse a mesma de anos atrás.
Isso é um erro grave.

Preço hoje precisa considerar:

  • regime tributário real,

  • aproveitamento ou não de créditos,

  • perfil do cliente,

  • impacto da não cumulatividade.

Quem não recalcular preços pode vender mais e lucrar menos, ou até operar no prejuízo sem perceber.

Simples Nacional: ainda faz sentido para todos?

Outro ponto crítico é o Simples Nacional.

Para alguns negócios, ele continua sendo uma excelente opção.
Para outros, pode se tornar um limitador.

Com a lógica de créditos tributários ganhando força, o empresário precisa se perguntar:

  • Quem é meu cliente?

  • Ele precisa de crédito?

  • Estou perdendo competitividade por não gerar crédito?

  • Vale a pena continuar no Simples “puro” ou migrar para outro regime?

  • Faz sentido estruturar operações fora do Simples para aproveitar créditos?

 (Essa análise não é achismo, é simulação).

Sem simular cenários, o empresário toma decisões no escuro, e isso, no novo ambiente tributário, é extremamente perigoso.

Gestão financeira e fiscal deixam de ser separadas

Outro erro cultural muito comum no Brasil é tratar:

  • o financeiro de um lado,

  • e o tributário de outro.

Essa separação não funciona mais.

Hoje, gestão financeira e gestão tributária caminham juntas.
Decisões como:

  • prazo de recebimento,

  • forma de pagamento,

  • tipo de cliente,

  • estrutura de venda,

  • canal de comercialização,

têm impacto direto no imposto, e vice-versa.

Empresa que não integrar essas áreas vai perder eficiência e competitividade.

O problema não é a Reforma. É não se adaptar a ela.

A Reforma Tributária não vai quebrar empresas sozinha.
Quem quebra empresas é:

  • falta de planejamento,

  • insistência em práticas antigas,

  • resistência à mudança,

  • e decisões tomadas sem base técnica.

O empresário que entende isso cedo ganha vantagem competitiva.
O que insiste em esperar “ver no que dá” paga o preço mais alto.

Segurança para o negócio exige conhecimento especializado

Por fim, e talvez o ponto mais importante, não é possível atravessar essa mudança sozinho.

Contar com um tributarista experiente, com conhecimento técnico e visão estratégica, não é custo: é investimento em segurança, previsibilidade e continuidade do negócio.

Um bom tributarista ajuda a:

  • simular cenários,

  • escolher o regime mais adequado,

  • reorganizar contratos e preços,

  • estruturar o financeiro corretamente,

  • reduzir riscos e evitar erros irreversíveis.

Em um novo sistema, quem se prepara sobrevive.
Quem insiste no passado, infelizmente, pode não ter uma segunda chance.

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Em fase de publicação, a obra aborda o ICMS Ecológico e a Reforma Tributária, com reflexões relevantes sobre o Direito Ambiental, tanto no âmbito nacional quanto internacional — um trabalho de notável importância acadêmica e prática

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